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    Aula aberta do MBA · Módulo 3

    A realidade sobre as novas gerações no trabalho

    Academia do Universitário9 de setembro de 20265 min de leitura

    Aula aberta do MBA em RH & IA. A prévia dos dados que viraram a Pesquisa Jovens Talentos 2026, e a provocação de que programa de estágio de 24 meses não deveria mais existir.

    MóduloMódulo 3 · Employer Branding e EVP
    Data9 de setembro de 2026
    Conduzido porDiego Cidade · CEO da Academia do Universitário e coordenador do MBA
    ColeçãoMBA RH & AI
    40%
    dos estagiários dizem ter clareza do que se espera deles, na prévia da pesquisa
    43%
    enxergam possibilidade de continuidade na empresa onde estagiam
    4.991
    respondentes na base completa da Pesquisa Jovens Talentos 2026

    A era da autoexpressão

    Tudo virou social, e a nova geração faz com o trabalho o que faz com todo o resto: posta. Comemora a promoção, comenta a rotina, reclama do chefe. Abriu o TikTok, está lá.

    Do outro lado, o RH ficou com medo. Medo de se posicionar, medo de errar o tom, medo de que o estagiário fale mal da empresa lá fora. E medo, em comunicação, quase sempre vira silêncio.

    A aula começa desarmando isso. O risco não se elimina com controle, porque estamos lidando com pessoas. Ele se mitiga com construção: um EVP claro, valores inegociáveis ditos em voz alta e uma política de embaixadores que dá microfone para quem já está dentro.

    O exemplo é banal de propósito. Se para a sua empresa câmera aberta em reunião é inegociável, isso precisa estar escrito na porta de entrada, e não virar reclamação sobre o estagiário três meses depois.

    O mito da geração AI native

    Existe uma expectativa silenciosa de que quem está entrando agora chega dominando inteligência artificial. É uma expectativa confortável, porque transfere para o jovem uma responsabilidade que é da empresa.

    Na prática não é isso que aparece. Nas conversas com estagiários dentro das companhias, o uso médio de IA é básico: corrigir um texto, redigir um e-mail, estudar para a prova. Não é construir sistema, automatizar rotina nem desenhar processo. Muitas vezes nem a ferramenta escolhida é a mais adequada para o que a pessoa quer fazer.

    Duas conclusões práticas saem daí.

    A primeira é que capacitar é papel de quem já está no mercado corporativo. Instituição de ensino não troca de currículo da noite para o dia, e esperar que troque é perder tempo de operação.

    A segunda é que isso é ativo de marca empregadora. Empresa que ensina IA de verdade para quem está começando tem uma coisa concreta para contar, num momento em que quase todo mundo só tem discurso.

    O algoritmo faz parte do briefing

    Boa parte do tempo de tela da nova geração não é estudo nem trabalho. É time pass, o scroll sem destino movido a dopamina.

    Isso não é julgamento moral, é contexto para quem vai desenhar campanha. Você não está competindo com outra vaga, está competindo com o feed. Campanha de atração que ignora como o algoritmo distribui conteúdo morre antes de chegar em quem interessa.

    Por isso a aula insiste em trazer comunicação e marketing para dentro do desenho da campanha, e não deixar isso só com o RH.

    O que 60 estagiários responderam

    A aula abre uma prévia da pesquisa que rodamos com o Kiko Campos. Nesse recorte preliminar, 60 estagiários de empresas privadas avaliaram o próprio estágio, no momento em que estavam vivendo ele.

    Três marcações do gráfico:

    40% dizem ter clareza do que se espera deles. Para quem está no primeiro emprego, isso é grave. Sem clareza não existe autonomia, e sem autonomia o estagiário vira tarefeiro.

    43% enxergam possibilidade de continuidade. O programa inteiro é construído em cima da promessa de crescer ali dentro, e menos da metade acredita nela.

    Cerca de 80% dizem que o ambiente permite aprender. Esse é o dado bom, e é o ponto de apoio: a base existe, o que falta é contrato explícito.

    O ambiente deixa aprender. O que ninguém combinou é o que acontece depois.

    A provocação: programa de 24 meses não fecha mais a conta

    O tempo médio que o estagiário fica na empresa é de cerca de um ano. Existem outliers, existem programas longos que funcionam, mas a média é essa.

    Se a média é um ano, desenhar um programa de desenvolvimento de 24 meses é desenhar para uma pessoa que já saiu na metade. A provocação é direta: por que não fazer programas de um ano, com o próximo passo explícito?

    Um cliente da AU, uma rede grande de varejo em saúde, faz exatamente assim. Aos 18 meses existe uma janela formal para efetivar a pessoa como analista pleno. Dezoito meses depois, nova avaliação para sênior. Não é promessa vaga, é marco no calendário.

    E tem o detalhe mais incômodo da aula: quem pede desligamento é o estagiário. Não raro sem ter outro estágio ou emprego na mão.

    Efetivar nem sempre dá. Mentir nunca dá

    A aula não defende que toda empresa efetive todo mundo. Tem cliente com 250 estagiários que não tem como absorver essa gente toda, e isso é legítimo.

    O que não é legítimo é vender efetivação garantida na campanha e entregar outra coisa. A alternativa honesta existe e é forte: deixar claro que ali a pessoa vai aprender muito, vai sair com uma chancela que abre porta em outras empresas grandes, e que a efetivação depende de performance e de vaga aberta.

    Campanha redonda enche o funil de gente aderente. Campanha que promete o que não existe enche o funil e esvazia o programa seis meses depois.

    Da prévia para a base completa

    Os 60 respondentes desta aula viraram 4.991 respondentes na Pesquisa Jovens Talentos 2026, a maior já feita sobre a jornada do estágio no Brasil.

    E o que a prévia sinalizou se confirmou na base grande. No ranking dos 18 itens avaliados, perspectiva de futuro e feedback aparecem nas duas últimas posições. São exatamente os dois pontos que já apareciam fracos com 60 respostas.

    A pesquisa completa, com o Raio-X por momento da jornada e o penhasco dos 60 dias, está no Box da Pesquisa Jovens Talentos 2026.

    Para complementar

    O case citado no início da aula está no acervo: Case ICONIC: a ordem certa para fazer employer branding, com a Bianca Cerbino.

    Perguntas frequentes

    Pós-graduação

    MBA em RH Estratégico com Inteligência Artificial

    A aula que você acabou de assistir é um pedaço do MBA da UniFECAF, coordenado por Diego Cidade. Seis meses, 100% online, 360 horas, com professores que estão na operação de empresas como Vale, Braskem, Itaú, Sabesp e Ipiranga.

    1. 1.Futuro do Trabalho, IA e Capital Humano
    2. 2.RH Estratégico e Business Partnering
    3. 3.Employer Branding e EVP com IAvocê está aqui
    4. 4.Atração de Talentos e Recrutamento Inteligente
    5. 5.Desenvolvimento e Alta Performance
    6. 6.Engajamento, Diversidade e Liderança Multigeracional
    Conhecer o MBA

    Também tocamos a pauta de jovens talentos no Clube RHZ.